Somos muitos, estamos em todos os lugares!

Malafaia não nos representa, Marco Feliciano não nos representa, Eduardo Cunha não nos representa…

Somos muitos, estamos em todos os lugares e queremos !

Somos seguidores de Jesus de Nazaré, que nasceu pobre, foi imigrante e refugiado, andou entre…morto pelo estado.

ele formou uma comunidade de iguais, homens e mulheres, crianças e jovens, idosos  sem distinção de classe, etnia, procedência, gênero, idade, identidade de gênero ou orientação sexual.

Ele nos convidou para formar comunidades que testemunham sua justiça e honram o seu legado, anunciando boas notícias de alegria e paz para todos e todas.

Intersecções é uma rede e plataforma de lideranças, ativistas, escritores, intelectuais cristãos protestantes/evangélicos, de todo o Brasil, que está reimaginando a relação entre fé/espiritualidade cristã e presença na sociedade brasileira.

Os evangélicos se tornaram atores chaves nos processos sociopolíticos e culturais no Brasil contemporâneo, especialmente nos processos que se configuram da periferia para o centro. A formação protestante ou evangélica, de origem contestatária e individualista, portanto de caráter modernizador, tornou-se conservadora, e em vários aspectos fundamentalista e reacionária. O cenário que se apresenta no Brasil para as demandas relacionadas a transformações culturais inclusivas e pluralistas encontra na ampla presença evangélica (de matiz conservadora) na política, na mídia e nas periferias, um desafio incontornável.

Os setores progressistas do evangelicalismo brasileiro ecumênicos, “evangélicos da Missão Integral” e outros atuando em diferentes espaços de militância a partir de pautas democráticas (emancipação da mulher, luta antirracista, reforma agrária, direitos trabalhistas, direitos da criança, políticas de juventude, direito à cidade, ecologia, direitos LGBT, segurança pública, transparência e corrupção etc.) continuam minoritários, apesar de há décadas levantarem a bandeira da radicalização da democracia, do estado laico e dos direitos humanos. 

O período pós-redemocratização recolocou na agenda pública muitos temas que desafiam a mentalidade conservadora e reacionária típica do tradicionalismo no Brasil, acirrando-se na última década e meia em razão de governos comprometidos com os direitos humanos e pautas morais não conservadoras. A polarização ideológica que foi ganhando corpo no Brasil, e os acenos contraditórios que esses mesmos governos fizeram aos setores evangélicos para conquistar votos e ampliar sua base de sustentação no legislativo, propiciou uma confrontação aberta entre progressismo e conservadorismo/reacionarismo evangélico, recolocando fantasmas antigos (“esquerda comunista”, “ideologização da fé”) e criando novos (“ideologia de gênero”, “ditadura gayzista” etc.) nas disputas narrativas nas redes sociais e no campo da teologia e pastoral.

Na medida em que os confrontos se acirram e os velhos paradigmas teológicos e militantes parecem estar se esgotando, urge pensar e articular a emergência de um protagonismo e lógica de atuação que busque, por um lado, ampliar o vocabulário e incorporar definitivamente, sem hesitações, nas narrativas discursivas e na prática do evangelicalismo progressista (teologia, missão, evangelização, espiritualidade etc.) a agenda ampla de direitos humanos deste século (direitos LGBT, diversidade cultural, pluralismo religioso, direitos sexuais e reprodutivos, segurança pública cidadã, gênero e políticas de educação, entre outras); e por outro lado, reorganizar as instâncias de disseminação cultural dessas narrativas teológicas, em diálogo com a reorganização dos setores interessados nessas agendas, a fim de formar novas lideranças evangélicas progressistas, criar novos processos e canais de comunicação com as lideranças, as comunidades e fiéis evangélicos, e potencializar a voz desse segmento nos espaços de produção e reprodução de sentido do Brasil contemporâneo, especialmente no uso de tecnologias e linguagens.

A despeito da continuidade de atuação desde a década de 1970, ampliando-se nas décadas seguintes os espaços formativos e de ativismo do progressismo evangélico, os centros ativos de irradiação de uma perspectiva protestante evangélica radical estão fragmentados e com pouca capacidade de formulação e seguimento das tendências mais dinâmicas da sociedade na direção da justiça, igualdade, liberdade, paz e sustentabilidade.