Somos muitos, estamos em todos os lugares!

Postado em 01 de setembro de 2019

Malafaia não nos representa, Marco Feliciano não nos representa, Eduardo Cunha não nos representa…

Somos muitos, estamos em todos os lugares e queremos !

Somos seguidores de Jesus de Nazaré, que nasceu pobre, foi imigrante e refugiado, andou entre…morto pelo estado.

ele formou uma comunidade de iguais, homens e mulheres, crianças e jovens, idosos  sem distinção de classe, etnia, procedência, gênero, idade, identidade de gênero ou orientação sexual.

Ele nos convidou para formar comunidades que testemunham sua justiça e honram o seu legado, anunciando boas notícias de alegria e paz para todos e todas.

Intersecções é uma rede e plataforma de lideranças, ativistas, escritores, intelectuais cristãos protestantes/evangélicos, de todo o Brasil, que está reimaginando a relação entre fé/espiritualidade cristã e presença na sociedade brasileira.

Os evangélicos se tornaram atores chaves nos processos sociopolíticos e culturais no Brasil contemporâneo, especialmente nos processos que se configuram da periferia para o centro. A formação protestante ou evangélica, de origem contestatária e individualista, portanto de caráter modernizador, tornou-se conservadora, e em vários aspectos fundamentalista e reacionária. O cenário que se apresenta no Brasil para as demandas relacionadas a transformações culturais inclusivas e pluralistas encontra na ampla presença evangélica (de matiz conservadora) na política, na mídia e nas periferias, um desafio incontornável.

Os setores progressistas do evangelicalismo brasileiro ecumênicos, “evangélicos da Missão Integral” e outros atuando em diferentes espaços de militância a partir de pautas democráticas (emancipação da mulher, luta antirracista, reforma agrária, direitos trabalhistas, direitos da criança, políticas de juventude, direito à cidade, ecologia, direitos LGBT, segurança pública, transparência e corrupção etc.) continuam minoritários, apesar de há décadas levantarem a bandeira da radicalização da democracia, do estado laico e dos direitos humanos. 

O período pós-redemocratização recolocou na agenda pública muitos temas que desafiam a mentalidade conservadora e reacionária típica do tradicionalismo no Brasil, acirrando-se na última década e meia em razão de governos comprometidos com os direitos humanos e pautas morais não conservadoras. A polarização ideológica que foi ganhando corpo no Brasil, e os acenos contraditórios que esses mesmos governos fizeram aos setores evangélicos para conquistar votos e ampliar sua base de sustentação no legislativo, propiciou uma confrontação aberta entre progressismo e conservadorismo/reacionarismo evangélico, recolocando fantasmas antigos (“esquerda comunista”, “ideologização da fé”) e criando novos (“ideologia de gênero”, “ditadura gayzista” etc.) nas disputas narrativas nas redes sociais e no campo da teologia e pastoral.

Na medida em que os confrontos se acirram e os velhos paradigmas teológicos e militantes parecem estar se esgotando, urge pensar e articular a emergência de um protagonismo e lógica de atuação que busque, por um lado, ampliar o vocabulário e incorporar definitivamente, sem hesitações, nas narrativas discursivas e na prática do evangelicalismo progressista (teologia, missão, evangelização, espiritualidade etc.) a agenda ampla de direitos humanos deste século (direitos LGBT, diversidade cultural, pluralismo religioso, direitos sexuais e reprodutivos, segurança pública cidadã, gênero e políticas de educação, entre outras); e por outro lado, reorganizar as instâncias de disseminação cultural dessas narrativas teológicas, em diálogo com a reorganização dos setores interessados nessas agendas, a fim de formar novas lideranças evangélicas progressistas, criar novos processos e canais de comunicação com as lideranças, as comunidades e fiéis evangélicos, e potencializar a voz desse segmento nos espaços de produção e reprodução de sentido do Brasil contemporâneo, especialmente no uso de tecnologias e linguagens.

A despeito da continuidade de atuação desde a década de 1970, ampliando-se nas décadas seguintes os espaços formativos e de ativismo do progressismo evangélico, os centros ativos de irradiação de uma perspectiva protestante evangélica radical estão fragmentados e com pouca capacidade de formulação e seguimento das tendências mais dinâmicas da sociedade na direção da justiça, igualdade, liberdade, paz e sustentabilidade.